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Estamos em tempos de caos... Tempos de morte... De medo... De Aflição... Vivemos um momento singular na vida da maioria da população brasileira com menos de 60 anos. A derrocada da social democracia e com ela, a queda do Estado Nação como perspectiva concreta de emancipação e descolonização de nossos contextos. O Estado fracassou... E com isso corpas dissidentes de todas as partes começam a se perguntar o que fazer para estabelecer essa nossa constante coreografia de sobrevivência. O senso comum tende a nos dizer que a pacificação e a legalidade sejam o único e legítimo trajeto. Que baixar as cabeças e rezar para que não sejam ceifadas pelo Estado homicida, patriarcal e escravocrata é nossa única alternativa. E é por isso que pedimos licença, debaixo dessa fuligem das bombas todas, para que possamos nos juntar e nos organizar. Pensar novas formas de reagir e resistir em coletivo, trocando saberes e estratégias que nos são a todo tempo negadas para insurgir nessa merda.
Entendemos que a produção de novas linguagens, neste contexto todo de iminência de morte e de demonstração brutal do necropoder, parece ser um respiro conceitual e formal para nos alavancar da melancolia que nos achata e que pressiona nossas cabeças contra o asfalto quente. Precisamos redesenhar as estratégias e só acreditamos nessa possibilidade a partir da presença, do olhar e da construção de espaços seguros para os nossos.
O 1º Festival POWlítico de Corpas Rebeldes foi um espaço de escambo de ações insurgentes independente da sua linguagem ou campo de atuação a fim de deslocar saberes para outras corpas multiplicadoras e tecer uma rede de proteção e formação concreta neste momento assombroso de ameaça aos nossos modos de existir.
Bichas, sapas, pretos e pretas, trans e travas, indígenas e quilombolas, put@s, deficientes, gordos e gordas, louc@s e todas as existências que perturbem a norma legitimadas pelo eurocentrismo cisheterossexual branco! Já sabemos que o perigo tem fundamento estético! Que a distribuição de violência se dá em uma coreografia bizarra que chibata as corpas que escapam da norma estética estabelecida.

Durante todo o mês de novembro de 2018, aconteceu a programação do Festival, de forma mais concentrada, na Casa de Cultura da Vila Guilherme, mas circulou por outros territórios e equipamentos da Zona Norte.
Insistimos em invadir as periferias da ZN por entender que o território mais conservador da cidade de São Paulo, onde atualmente resistimos como coletivo, necessita de apoio para fortalecer nossas ações contranormativas de re-existência.
Queremos aprender e nos fortalecer...
Trocar...
Insurgir...
A luta segue! Zumbi vive! Dandaras vivem!
Não nos renderemos!